Ele tem olhos castanhos. Uns olhos castanhos doces, meigos, que me
acalmam. Podemos compara-los a um olhar inocente de um cão. Ai, o quanto amo
aqueles olhos! O quanto eu preciso deles. Aquele olhar dele não me sai da alma.
Nunca, nem mesmo nas situações que devia esquecer e ser fria em relação a ele.
Como num certo dia, em que as nossas conversas viraram para o torto.
Chateamo-nos e falamos mal um para o outro. Eu tentei ser fria sobre o assunto
e fingir que não me afetava, esquece-lo por um bocado e ter um dia em paz dos
problemas. Porém, alma de pensadora e coração de apaixonada não permite tal
luxos. Permite o luxo do desassossego. Aquele desassossego que mesmo quando
dormes a tua mente está acordada para ele. Em que tudo roda à volta dele e da dúvida
do ‘E agora? Será que vamos ficar bem?’. Em que não consegues aproveitar nada
pois tudo o que pensas é no cenário apocalítico do despovoamento da tua alma conquanto
o desaparecimento daquela pessoa na tua vida. Quando a única coisa que desejas
é que nada tenha acontecido e que tudo volte ao iluminado facto da nossa
felicidade conjunta. Mas ele para além de me iluminar, também me assombra. Ele
tem arma na mão, o dedo no gatilho e arma na minha cabeça. Tudo o que tem de
fazer é carregar e destrói-me. Ele tem esse poder! Ai de mim que dei esse poder
a alguém! Mas esse alguém tem os olhos
castanhos doces que me acalmam. Esse alguém faz-me sentir tão especial, tão
segura. Eu podia ser fria em relação a ele, mas como se ele me esquenta a
frieza? #autoriaprópria