quinta-feira, 25 de junho de 2015

Paixão que afasta a solidão

Gostava de me mexer. De ter algo com que eu pudesse agarrar e vangloriar por aí. Ter algo que eu me orgulhasse. Ser boa em algo.
Sabes aqueles dias em que ficas em casa perdida a pensar no que podes fazer e no fim acabas por não fazer nada? E esses dias repetem-se e repetem-se e repetem-se. Acabas por morrer de tédio, por estar farta de ver sempre as mesmas 4 paredes. Tu não tens nada que te tire de casa.
Aí começaste a questionar sobre o que raio estás a fazer com a tua vida. Pois tu não tens nada em que te podes agarrar e vangloriar te por aí. Não tens nada para te orgulhares. Eu sou como tu. Tu olhas para outras pessoas, cheias de atividades em que são boas. Em que ocupam grande parte do seu tempo a fazê-las e a melhorarem. A divertirem se e a fazer algo. Ao contrário de ti, que ficas fechada em casa engolida na solidão do nada. À espera que eventualmente apareça algo em tu possas ser boa e que te dê uma vida. Em que os dias não sejam uma rotina e sim uma aventura. Em que tens de ir ali e acolá enquanto conheces pessoas novas.
Porém essa vida aparentemente não foi feita para todos. Tu tentas encontrar algo, mas nunca bate certo. Tu não encontras a paixão que tu vês as outras pessoas a ter. A única paixão que sentes é em pessoas. E que maluco se quer agarrar a pessoas? Ainda por cima pessoas que tem outras paixões que tu não tens porque não as consegues encontrar? Que facilmente as pessoas te podem substituir por essa paixão, mas tu não porque tu não tens mais nada. Porque não és boa a nada. Eventualmente, pessoas como tu aprendem a lidar com o tempo queimado e com as pessoas perdidas, mas até lá eu estou convosco.
Como vocês, eu gostava de me mexer. De ter algo com que eu pudesse agarrar e vangloriar por aí. Ter algo que eu me orgulhasse. Ser boa em algo.
#autoriaprópria

domingo, 7 de junho de 2015

Incapacidade

Como sempre sinto me incapaz.. A incapacidade várias vezes consome o meu corpo e devora me viva. Eu consigo mexer me, consigo falar, pensar, estou igual ao de sempre.. Mas então porque me sinto assim? Bem.. Penso saber a resposta: porque quando não és capaz de ajudar quem gostas, não ajudas mais ninguém.. Deixas de ajudar. Se as pessoas que devias ajudar não ajudas, para que envenenar outros com a tua incapacidade? Dizer palavras vazias e ocas que para os outros não são nada, mas para ti são tudo. Tudo o que sabes dizer, tudo o que consegues dizer. Se tudo é nada, tu tornaste nada. Um nado vivo, um bebe. Uma característica desses seres minúsculos é a incapacidade, a impossibilidade de fazer, de ser. Se tu és um bebê porque tentas ser adulto? Porque tentas ajudar se és tu que precisas de ajuda? Porque procuras nos outros a tua razão de ser alguém? Só tu podes ser alguém, ninguém te vai amar o suficiente para te completar o insuficiente. Tu és sufocante e asfixiante como o perfume velho da avó que põe exageradamente nas suas roupas. Tu és o perfume da avó que todos fogem. Que ninguém quer estar perto. Incapaz de dar o cheiro que as pessoas precisam e querem cheirar.
#autoriaprópria