domingo, 4 de outubro de 2015

A palavra

A beleza da palavra
Que passa pela língua
Que passa por todo o sítio
Mas se não passa
Pelo cérebro
Sai asneira
Algo mau
Que magoa
Se passar pelo coração
Vai sair algo profundo
Ou amoroso, gentil
Ou até cuidadoso
Num momento a palavra
É a nossa melhor amiga
Podemos contar-lhe tudo
Ou escrevemo-la num papel
Ou contamo-la a alguém
É aquela que nos
Tira um peso da consciência
Que nos acalma
Que ajuda a ultrapassar
Os medos e as tristezas
Que fica feliz connosco
Em quem nós podemos confiar
Quando começamos a escrever
Parece magia
Escrevemos, escrevemos
Sem parar.
Quando paramos
Lemos em harmonia
Por isso a palavra é
Uma amiga em quem
Nós nos podemos isolar
Sem termos algo em que nos preocupar.
#autoriaprópria

A fome

Houve uma altura em que eu estava ansiosa
A ansiedade por comer era tão grande
Que acabei por comer a ansiedade
Ela espreitava pelos meus dentes
À procura de saída
Ela não me alimentou o suficiente
Por isso fui procurar outro sentimento
Encontrei o medo!
Este cumprimentou-me com receio
Eu antes de dizer qualquer coisa, abro a minha boca
E… Zas! Já estava no meu estômago
Esta encontra-se com a ansiedade
Tentam juntar-se para criar forças para sair dali
Porém havia algo entre eles…
O suco gástrico!
#autoriaprópria 

A Alma

Uma alma penada
Uma alma calada
Uma alma esperada
Pela fome do mundo
Uma alma que bate no fundo
Uma alma magoada
Uma alma pisada
Pisada pelos pés dos que se dizem
Superiores
Mas que não passam de seres
Inferiores
Uma alma que tem uma jornada
Uma alma acabada
Eu sou a alma!

A alma sou eu!
#autoriaprópria

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Olhar do amor

Ele tem olhos castanhos. Uns olhos castanhos doces, meigos, que me acalmam. Podemos compara-los a um olhar inocente de um cão. Ai, o quanto amo aqueles olhos! O quanto eu preciso deles. Aquele olhar dele não me sai da alma. Nunca, nem mesmo nas situações que devia esquecer e ser fria em relação a ele.
Como num certo dia, em que as nossas conversas viraram para o torto. Chateamo-nos e falamos mal um para o outro. Eu tentei ser fria sobre o assunto e fingir que não me afetava, esquece-lo por um bocado e ter um dia em paz dos problemas. Porém, alma de pensadora e coração de apaixonada não permite tal luxos. Permite o luxo do desassossego. Aquele desassossego que mesmo quando dormes a tua mente está acordada para ele. Em que tudo roda à volta dele e da dúvida do ‘E agora? Será que vamos ficar bem?’. Em que não consegues aproveitar nada pois tudo o que pensas é no cenário apocalítico do despovoamento da tua alma conquanto o desaparecimento daquela pessoa na tua vida. Quando a única coisa que desejas é que nada tenha acontecido e que tudo volte ao iluminado facto da nossa felicidade conjunta. Mas ele para além de me iluminar, também me assombra. Ele tem arma na mão, o dedo no gatilho e arma na minha cabeça. Tudo o que tem de fazer é carregar e destrói-me. Ele tem esse poder! Ai de mim que dei esse poder a alguém!  Mas esse alguém tem os olhos castanhos doces que me acalmam. Esse alguém faz-me sentir tão especial, tão segura. Eu podia ser fria em relação a ele, mas como se ele me esquenta a frieza? 
#autoriaprópria

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Paixão que afasta a solidão

Gostava de me mexer. De ter algo com que eu pudesse agarrar e vangloriar por aí. Ter algo que eu me orgulhasse. Ser boa em algo.
Sabes aqueles dias em que ficas em casa perdida a pensar no que podes fazer e no fim acabas por não fazer nada? E esses dias repetem-se e repetem-se e repetem-se. Acabas por morrer de tédio, por estar farta de ver sempre as mesmas 4 paredes. Tu não tens nada que te tire de casa.
Aí começaste a questionar sobre o que raio estás a fazer com a tua vida. Pois tu não tens nada em que te podes agarrar e vangloriar te por aí. Não tens nada para te orgulhares. Eu sou como tu. Tu olhas para outras pessoas, cheias de atividades em que são boas. Em que ocupam grande parte do seu tempo a fazê-las e a melhorarem. A divertirem se e a fazer algo. Ao contrário de ti, que ficas fechada em casa engolida na solidão do nada. À espera que eventualmente apareça algo em tu possas ser boa e que te dê uma vida. Em que os dias não sejam uma rotina e sim uma aventura. Em que tens de ir ali e acolá enquanto conheces pessoas novas.
Porém essa vida aparentemente não foi feita para todos. Tu tentas encontrar algo, mas nunca bate certo. Tu não encontras a paixão que tu vês as outras pessoas a ter. A única paixão que sentes é em pessoas. E que maluco se quer agarrar a pessoas? Ainda por cima pessoas que tem outras paixões que tu não tens porque não as consegues encontrar? Que facilmente as pessoas te podem substituir por essa paixão, mas tu não porque tu não tens mais nada. Porque não és boa a nada. Eventualmente, pessoas como tu aprendem a lidar com o tempo queimado e com as pessoas perdidas, mas até lá eu estou convosco.
Como vocês, eu gostava de me mexer. De ter algo com que eu pudesse agarrar e vangloriar por aí. Ter algo que eu me orgulhasse. Ser boa em algo.
#autoriaprópria

domingo, 7 de junho de 2015

Incapacidade

Como sempre sinto me incapaz.. A incapacidade várias vezes consome o meu corpo e devora me viva. Eu consigo mexer me, consigo falar, pensar, estou igual ao de sempre.. Mas então porque me sinto assim? Bem.. Penso saber a resposta: porque quando não és capaz de ajudar quem gostas, não ajudas mais ninguém.. Deixas de ajudar. Se as pessoas que devias ajudar não ajudas, para que envenenar outros com a tua incapacidade? Dizer palavras vazias e ocas que para os outros não são nada, mas para ti são tudo. Tudo o que sabes dizer, tudo o que consegues dizer. Se tudo é nada, tu tornaste nada. Um nado vivo, um bebe. Uma característica desses seres minúsculos é a incapacidade, a impossibilidade de fazer, de ser. Se tu és um bebê porque tentas ser adulto? Porque tentas ajudar se és tu que precisas de ajuda? Porque procuras nos outros a tua razão de ser alguém? Só tu podes ser alguém, ninguém te vai amar o suficiente para te completar o insuficiente. Tu és sufocante e asfixiante como o perfume velho da avó que põe exageradamente nas suas roupas. Tu és o perfume da avó que todos fogem. Que ninguém quer estar perto. Incapaz de dar o cheiro que as pessoas precisam e querem cheirar.
#autoriaprópria